Apresentação


    O Arquivo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin

    A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM-USP) surgiu graças a doação da coleção brasiliana à Universidade de São Paulo, coleção esta que foi compilada ao longo de mais de 80 anos pela família Mindlin, ela reúne um acervo rico em material que busca a compreensão da cultura e história do Brasil. Além dos livros, a biblioteca também dispõe de documentos tratados arquivisticamente.

    O arquivo da instituição atualmente conta com quatro conjuntos documentais já descritos: o de Zila Mamede, o de Rubens Borba de Moraes, o fundo Guita Mindlin e os documentos sobre o Movimento Concretista acumulados por Erthos Albino de Souza, em fase de descrição se encontra o fundo pessoal de Francisco de Assis Barbosa.

    Para a descrição dos três primeiros fundos já descritos na BBM, foi utilizada a abordagem contextual de arquivos pessoais, metodologia proposta por Ana Maria de Almeida Camargo e Silvana Goulart no livro Tempo e Circunstância: a abordagem contextual dos arquivos pessoais1.

    A BBM também possui a guarda da documentação de Itsvan Jancsó, Vicente do Rego Monteiro, Cunha de Leiradella, e a do próprio José Mindlin. Além de uma extensa coleção de documentos avulsos, em fase de processamento, que dispõe de uma documentação rara de diferentes períodos históricos.

    1CAMARGO, Ana Maria de Almeida; GOULART, Silvana. Tempo e circunstância: a abordagem contextual dos arquivos pessoais. São Paulo: Instituto Fernando Henrique Cardoso, 2007.

    Conjuntos Documentais


    Erthos Albino de Souza


    (Ubá, MG, 1932 — Juiz de Fora, MG, 2000)

    Erthos Albino de Souza nasceu em Ubá, interior de Minas Gerais em 19321 foi um engenheiro, poeta e artista gráfico. Vai morar em Salvador na década de 1950, onde trabalhou como engenheiro de minas na Petrobrás até se aposentar nos anos 1990.

    Em Salvador, edita a revista literária Código, uma das mais importantes publicações de vanguarda do período, da qual saem 12 edições, entre 1974 e 1990. Como pesquisador, colabora com Augusto de Campos (1931) e Haroldo de Campos (1929 - 2003) no levantamento de referências bibliográficas para os livros Re-Visão de Sousândre, Re-Visão de Kilkerry, Pagu: Vida-Obra. Colabora em revistas como Polem, Muda, Artéria e Qorpo Estranho e participa de antologias como 25 Poetas / Bahia.

    É considerado um precursor no uso de computador na elaboração de poemas, utilizando conceitos de física e matemática. Sua obra Tumba de Mallarmé é considerada um dos primeiros poemas eletrônicos brasileiros e do mundo. Apesar do pioneirismo, sua documentação mostra muito pouco de sua trajetória como poeta, entretanto, se apresenta como uma vasta fonte de estudo sobre a poesia concreta, se trata de cartas e artigos dos principais poetas do movimento.


    1ERTHOS Albino de Souza. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa11532/erthos-albino-de-souza>. Acesso em: 24 de Ago. 2018. Verbete da Enciclopédia.

    DATAS-LIMITE:

    SIGLA: EAS

    PEQUENO TEXTO

    EXTENSÃO: xx unidades de descrição, xx itens documentais.

    ESTADO DE ORGANIZAÇÃO: Organizado.

    CONDIÇÕES DE ACESSO: Livre.

    HISÓRICO DA CUSTÓDIA:




    Guita Kauffmann Mindlin

    (São Paulo, SP, 1928 – Natal, RN 1985)

    Nascida em São Paulo, em 1916, Guita Kauffmann se formou em Direito pela Universidade de São Paulo em 1940, mas não exerceu a profissão. Ainda na Universidade conheceu o então estudante José Mindlin e, dois anos depois, casaram-se.

    A partir da década de 1970, a necessidade de conservar as obras da biblioteca que formou junto com seu esposo se tornou latente, desta forma, Guita passou a participar de cursos e palestras na área de conservação e restauro, dado comprovado por vasta documentação do arquivo1. Entre seus estudos, se destacam seus estágios e cursos no Museu de Arte Contemporânea da USP, no Atelier Arts Appliqués du Vésinet, na França e no Ateliê de Pedro Barbachano e Ana Beny na Espanha.

    Em 1988, juntamente com Thereza Brandão Teixeira, criou a Associação Brasileira de Encadernação e Restauro (ABER), com o objetivo de reunir profissionais ligados à conservação e ao restauro de livros, documentos impressos e manuscritos e à encadernação artesanal, estimulando o interesse pela documentação gráfica.

    O Arquivo de Guita é composto basicamente de documentos referentes a sua atividade como conservadora e restauradora, incluindo sua atuação como fundadora e membro da ABER, isso não significa que que não haja documentos de outros níveis: há fotos pessoais, cartas trocadas com amigos e familiares.


    1CARVALHO NETO, Pedro José de; SOUZA, Laiza Gomes de; NEVES, José Victor das. A abordagem contextual em arquivos pessoais: o caso do fundo Guita Mindlin. Múltiplos Olhares em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 8, n. 1, 2018.

    DATAS-LIMITE:

    SIGLA: GKM

    PEQUENO TEXTO

    EXTENSÃO: xx unidades de descrição, xx itens documentais.

    ESTADO DE ORGANIZAÇÃO: Organizado.

    CONDIÇÕES DE ACESSO: Livre.

    HISÓRICO DA CUSTÓDIA:




    Rubens Borba de Moraes

    (Araraquara, SP, 1899 – Bragança Paulista, SP, 1986)

    Nascido em 1899, em Araraquara, cidade do interior de São Paulo, Rubens Borba de Moraes atuou como a bibliógrafo, bibliotecário, professor universitário, pesquisador erudito, tornando-se um dos principais bibliófilos brasileiros.

    Rubens, atuou como organizador da Semana de Arte Moderna e manteve contato com importantes intelectuais modernistas da época, entre eles Mário de Andrade e Sergio Milliet. Contribuiu com a criação do primeiro curso de biblioteconomia do país, na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, participou da concepção e estruturação da Biblioteca Mário de Andrade, onde exerceu o cargo de diretor. Dirigiu também a Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro e a Biblioteca da ONU, em Nova York, além de atuar como docente na Universidade de Brasília.

    Ao longo de sua trajetória de vida, Rubens colecionou uma imponente coleção Brasiliana, que conta com livros, folhetos e documentos de diferentes séculos. Morreu na cidade de Bragança Paulista, em 1986, deixando como legado sua preciosa coleção e algumas obras publicadas: “Domingo dos séculos” (1924; 2010); “Manual bibliográfico de estudos brasileiros” (1949; 1998); “Bibliographia brasiliana” (1958; 1983; 2010), dividida em dois volumes, é um catálogo e compêndio de referência a bibliófilos, bibliotecários e estudiosos de livros raros sobre o Brasil, sendo considerada uma referência mundial; “O bibliófilo aprendiz” (1965; 1975; 1998; 2005);” Livros e bibliotecas no Brasil colonial” (1979; 2006); “Bibliografia da Imprensa Régia do Rio de Janeiro” (1993 – editado postumamente), dividido em dois volumes.

    O arquivo de Rubens Borba de Moraes1 compreende documentos que, segundo sua vocação instrumental, ajudaram a viabilizar o exercício de suas atividades rotineiras, além de representarem os eventos vivenciados por seu titular e os múltiplos papéis sociais que desempenhou ao longo de sua trajetória.


    1CAMPOS, José Francisco Guelfi. Arquivo Rubens Borba de Moraes: inventário. São Paulo: BBM-USP. (No prelo)

    DATAS-LIMITE:

    SIGLA: RBM

    PEQUENO TEXTO


    EXTENSÃO: xx unidades de descrição, xx itens documentais.

    ESTADO DE ORGANIZAÇÃO: Organizado.

    CONDIÇÕES DE ACESSO: Livre.

    HISÓRICO DA CUSTÓDIA:




    Zila da Costa Mamede

    (Nova Palmeira, PB, 1928 – Natal, RN 1985)

    Zila Mamede nasceu em 1928 em Nova Palmeira1, município fundado por seu avô e por seu padrinho de batismo, hoje município do estado da Paraíba. Ainda criança mudou-se para o interior do Rio Grande do Norte, mais precisamente para a cidade de Currais Novos. Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, Zila Mamede foi morar em Natal, capital do estado, onde seu pai se encontrava desde o início da chegada dos estadunidenses para organização da base aérea de Parnamirim, a qual serviria aos aliados.

    Foi após concluir seus estudos secundários que ela começou a ser apresentada à literatura. Zila começou a escrever aos 21 anos, ao retornar a Natal, após uma tentativa frustrada de ser freira. Entre 1955 e 1956, cursou biblioteconomia no Rio de Janeiro e fez ainda uma especialização nos Estados Unidos. Depois disso, voltou para Natal, onde reestruturou as duas maiores bibliotecas da cidade: a biblioteca central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que hoje tem seu nome, e a biblioteca pública estadual Câmara Cascudo. Ela publicou livros sobre o assunto, foi membro do Conselho Federal de Biblioteconomia, trabalhou no Instituto Nacional do Livro, em Brasília, e seu nome tornou-se referência.

    Entre os anos de 1976 e 1985, Zila Mamede dedicou-se ao ambicioso projeto de pesquisa: reunir, em uma bibliografia crítica, analítica e anotada, a obra do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto compreendida num período de 40 anos. Para tanto, acumulou extenso conjunto de documentos, muitos dos quais obtidos junto ao próprio poeta e tantos outros que lhes foram enviados por colaboradores, amigos e entusiastas do projeto. Tendo dado a pesquisa por terminada em julho de 1985, Zila faleceu inesperadamente em dezembro daquele mesmo ano.

    Seu arquivo é marcado pelo contexto de sua pesquisa; cartas e bilhetes que trocou com importantes representantes da literatura nacional, entre os quais Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, além de apontamentos e outros itens. A documentação permite também vislumbrar diferentes facetas de sua vida privada, do trabalho que empreendeu como bibliotecária responsável pela gestão da Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e de sua produção poética, representada nos sete livros que publicou.


    1 FIGUEIRÊDO, Gildete de Moura. Cronologia Zila da Costa Mamede. s.n.t. Disponível em: <https://digital.bbm.usp.br/bitstream/bbm/7307/2/45000036234_release.pdf>. Acesso em: 23 ago. 2018.

    DATAS-LIMITE: 1934 a 1985.

    SIGLA: ZCM

    Os documentos se referem, em sua quase totalidade, ao desenvolvimento da pesquisa realizada pela titular sobre a obra de João Cabral de Melo Neto, com destaque para a extensa correspondência mantida com colaboradores no Brasil e no exterior, além notícias, resenhas e reportagens publicados na grande imprensa, apontamentos e artigos sobre o poeta pernambucano. Facetas da vida privada e da produção poética de Zila Mamede se refletem em cartas e bilhetes trocados com amigos e familiares. Entre os missivistas com os quais a titular manteve 36 arquivo de zila mamede correspondência destacam-se Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Kátia Bento, Manuel Bandeira, Oswaldo Lamartine e Pedro Lyra.

    EXTENSÃO: 2.024 unidades de descrição, 2.305 itens documentais.

    ESTADO DE ORGANIZAÇÃO: Organizado.

    CONDIÇÕES DE ACESSO: Livre.

    HISÓRICO DA CUSTÓDIA: Os documentos, representativos de parcela do arquivo pessoal de Zila Mamede, foram entregues a José Mindlin, segundo desejo expresso da titular, por sua irmã, Ivonete Mamede. Concluída meses antes do falecimento de Zila Mamede, a pesquisa sobre a obra de João Cabral de Melo Neto foi publicada em 1987 sob o título Civil Geometria: Bibliografia Crítica, Analítica e Anotada de João Cabral de Melo Neto (1942-1982), por iniciativa de José Mindlin.